sábado, 26 de maio de 2012

Cheirinho de saudade

Um dia a gente abre aquela gaveta, e vê aquelas fotografias reveladas, os papéis amassados que você sabia que nunca esqueceria, um papel de chiclete que você comprou na cantina, e a saudade encharcando toda a gaveta. Molhada de saudade! Bilhetinhos de 4ª série de amigas, que disseram, com as próprias palavras, que nunca te esqueceria. Ahh, que cheirinho de saudade! A gente volta no túnel do tempo, com a sensação de uma primeira vez. Esses reencontros com essas gavetas sempre me deixam de coração partido, olhos inchados, e boas lembranças. Como a gente era feliz e nem sabia. Como era bom acordar num Sábado, e estar mais preocupado com o desenho que passa às 9:00, e como antes um beijinho sarava o machucado do joelho que você ralou tentando andar de bicicleta. Esse é um momento altamente filosófico e nostálgico que toma conta de nós: Como o tempo passa, como se locomove tão rapidamente, e como conseguimos nos prender à ele de tal forma. Hoje, não digo que a minha vida é dura, insensível. Pelo contrário, todas essas experiências me serviram de lição, e me tornaram a pessoa que sou hoje. Só digo que uma infância gostosa não se compara nem ao prêmio máximo da loteria, ou à todas as roupas lindas que você viu na vitrine e não pode comprar. Essas coisas não se compram, e, sinceramente, ainda bem que não. Nunca fui materialista, só quero lembranças boas, porque jóias e os prêmios máximos da loteria nunca serão eternos, nem enquanto durarem. Lembranças, ah! Essas sim, nunca cairão no infame filtro do tempo.

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